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  • Odontologia baseada em evidências: riscos e vantagens da prática

    odontologia baseada em evidências e suas vantagens e riscos
    A Medicina Baseada em Evidências (MBE) é uma prática que começou a ser difundida na década de 1990 pelos pesquisadores da Universidade McMaster, e, assim como a Odontologia Baseada em Evidências (OBE), consiste na ligação entre a atuação clínica e a boa pesquisa científica. Isso quer dizer que as evidências encontradas em estudos no campo da medicina e da odontologia são as norteadoras para as ações médicas e tratamentos realizados. No conceito de evidências estão compreendidos os conceitos de:  
    • Efetividade: quando o tratamento surte resultados satisfatórios em uma condição de mundo real;
    • Eficiência: quando o tratamento é acessível ao paciente, considerando tanto o custo quanto a oferta;
    • Eficácia: quando os resultados positivos são alcançados em condições de mundo ideal;
    • Segurança: quando a ocorrência de efeitos indesejáveis são improváveis diante das características de confiabilidade da intervenção.
      A Odontologia Baseada em Evidências começou a ser um conceito difundido também em meados da década de 1990, quando foi registrado o The Cochrane Oral Health Group (COHG) apenas um ano após a fundação da Colaboração Cochrane (1993), que é uma organização internacional sem fins lucrativos, presente em mais de cem países e cujo funcionamento se baseia apenas na mão de obra voluntária.
    Conheça as vantagens e os riscos que a prática da OBE oferece.

    A OBE oferece muitas vantagens, tanto para o paciente quanto para o profissional, se praticada da forma correta.

    O papel da Colaboração Cochrane é produzir e divulgar estudos com metodologia própria – bastante rigorosa – sobre a produção intelectual acerca da saúde e seus cuidados. O objetivo deste trabalho é garantir a qualidade dos estudos, bem como elucidar vieses e apontar lacunas nos estudos que não apresentam rigorosidade metodológica satisfatória, visando evitar que estes sirvam de base para o uso nas práticas da MBE. Assim, do mesmo modo, funciona a COHG, selecionando e divulgando bons estudos realizados no campo da odontologia para que sejam norteadores na prática da Odontologia Baseada em Evidências. Tal preocupação com a qualidade se deu em um momento em que a vasta produção acadêmica começou a trazer mais quantidade do que qualidade ao campo de estudos da saúde em geral. Até o ano de 2010, por exemplo, houve um registro de mais de trinta mil periódicos na área da saúde, sendo que dentre eles, 172 versavam sobre estudos na área da odontologia. Todos os trabalhos podem ser vir de base para a OBE, considerando os três pilares fundamentais, a seguir:  
    • Quais são os resultados do estudo?
    • Esses resultados são válidos?
    • Os resultados são relevantes para meus pacientes?
      Entretanto, para a utilização dos estudos é realizada uma seleção e uma revisão sistemática (RS), cujo objetivo é montar um resumo dos dados obtidos nos resultados e, com base nas similaridades, prever possíveis resultados e também traçar a estimativa da eficácia dos tratamentos. Outros tipos de revisões também podem ser realizadas, mas a fundação da COHG contribuiu para que o formato da realização destas revisões priorizasse apenas aquelas que não deixam nenhum tipo de brecha para a apresentação de resultados enviesados ou com lacunas, que poderiam gerar problemas para o exercício da OBE. Os riscos da prática estão ligados à inconsistência na seleção e revisão dos estudos, que podem levar à crença em falsos resultados, devido ao relato seletivo de desfecho ou cegamento, entre outros vieses possíveis. As principais vantagens beneficiam tanto o paciente, quanto o profissional, pois o resultado da boa prática da OBE é a constante atualização do profissional de odontologia, e, por consequência, a oferta cada vez maior de tratamentos mais adequados e mais específicos, considerando as particularidades dos casos.  
    Referências Periódico Moreira Jr. BEM Blogspot Scielo OBE Artigo

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