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  • Negligência, imprudência ou imperícia na odontologia

    Em 2007, na Flórida (EUA), um senhor de 90 anos de idade decidiu por fazer implantes com um cirurgião-dentista. Durante o procedimento, o dentista acidentalmente deixou cair uma chave digital de implante odontológico na garganta do paciente. Na ocasião, o instrumento entrou pelo esôfago do paciente, que precisou de uma colonoscopia para retirá-lo de seu intestino grosso. Apesar do ocorrido, o senhor continuou o tratamento com o mesmo dentista, que –  surpreendentemente – voltou a derrubar a chave digital pela garganta do idoso. Desta vez, o objeto foi para a traquéia, seguindo para o pulmão. O paciente ficou internado por 50 dias e morreu devido às complicações causadas pela cirurgia de retirada do objeto. O profissional foi multado em US$ 17 mil pelo Board of Dentistry, além de optar por não exercer mais a função. O Florida Department of Health ainda iniciou uma investigação por negligência e o cirurgião-dentista teve de pagar US$ 10 mil pelos custos do inquérito. Quatro anos depois, em Belo Horizonte, uma cirurgiã-dentista foi condenada a pagar R$ 25 mil de indenização para uma paciente por danos morais e materiais, após uma cirurgia malsucedida. A decisão foi da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que manteve sentença da 9ª Vara Cível de Belo Horizonte. A paciente iniciou um tratamento no valor de R$ 14,5 mil. Foi implantada uma prótese total na parte superior da boca, além de enxertos ósseos para restauração. Durante o procedimento, a dentista teria pedido apenas uma radiografia da arcada dentária. A paciente alegou que precisou retirar os pontos com outro profissional, pois a dentista que realizara o tratamento viajou na data agendada. Afirmou ainda, que passou a sentir dores de cabeça e de ouvido após a cirurgia; e relatou o abaixamento das gengivas e a soltura de pinos de dois dentes em duas ocasiões. A dentista teria cobrado R$ 500 para a recolocação. Com os resultados insatisfatórios, a paciente acionou a Justiça. Nos autos, anexou o processo ético contra a profissional, que tramitou no Conselho Regional de Odontologia, e que concluiu que, ao utilizar prótese provisória e mal colocada em implante com mobilidade, ela fugiu às técnicas recomendadas de sua profissão. Além disso, a dentista não disponibilizou, como anexo no processo judicial, o prontuário odontológico da paciente, o que constituiu falta grave. De acordo com os peritos, a exigência de tomografia computadorizada e radiografia para implantes dentários é essencial para o diagnóstico e tratamento corretos. Além disso, a não fixação das próteses superiores e as fraturas nas coroas de próteses inferiores indicam que a dentista foi ineficaz no tratamento. Em ambos os relatos, os profissionais foram investigados por negligência. Porém, há quem possa acreditar que realmente não aplicaram as práticas da forma correta. Ou até que não possuíram conhecimento sobre, e por isso, cometeram atos prejudiciais para a saúde dos pacientes. Mas antes de qualquer conclusão, é preciso entender a diferença entre os termos: negligência, imprudência e imperícia. Negligência: quando alguém age com descuido, indiferença ou desatenção, não tomando as devidas precauções. Imprudência: indica uma ação precipitada e sem cautela. Na imprudência, a pessoa age, mas toma uma atitude distista da esperada. Imperícia: inaptidão, ignorância, falta de qualificação técnica, teórica ou prática, ou ausência de conhecimentos elementares e básicos da profissão. Os profissionais de odontologia são confrontados quase que diariamente com escolhas que requerem uma ação decisiva e um julgamento que exige análise cuidadosa. Para permitir justa consideração para todas as partes, existem algumas diretrizes ou princípios de saúde que merecem atenção, como a diferença entre paternalismo e consentimento, a extinção da ideia de que o profissional sabe tudo, as situações de negligência e a tomada de decisão para dilemas éticos. Por isso, a maior dica é manter-se sempre informado, buscar aprender novas práticas e técnicas avançadas e cada vez mais seguras, e se assegurar de tomar a decisão mais correta possível. FONTES: Instituto Velasco Jusbrasil Coad Hoje em Dia

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