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  • Bruxismo: qual é o melhor modelo de placa oclusal?

    PERGUNTA: Qual é o modelo de placa oclusal indicado para pacientes com bruxismo que realizaram tratamento restaurador protético? >> Pergunta enviada por Alexandre Maia, de Natal (RN). Rodrigo Othávio de Assunção e Souza > As placas oclusais são dispositivos intraorais removíveis que promovem contatos oclusais bilaterais e simultâneos. Geralmente confeccionadas com resina acrílica, recobrem as superfícies incisais e oclusais dos dentes. Seu uso é normalmente noturno (durante o período de sono) e, nos casos de bruxismo associado ao rangimento dentário ou apertamento em posição excêntrica da mandíbula, são necessários guias de desoclusão na placa (de preferência, por meio dos caninos). A placa estabilizadora pode ser confeccionada tanto no arco dentário superior (maxila) quanto no inferior (mandíbula). No primeiro caso, proporciona melhor estabilização, pois os dentes mandibulares podem contatar com uma superfície oclusal plana. Vale lembrar que esta precisa ser lisa e sem edentações, e a espessura do aparelho deve ser de aproximadamente 1 mm a 1,5 mm na região dos molares. Os contatos dentários devem ocorrer nas cúspides vestibulares dos dentes posteriores inferiores ou, no caso das placas realizadas no arco inferior, nas cúspides palatinas dos dentes superiores. Apesar do uso ser bastante popular nos casos de pacientes com dores referentes à disfunção temporomandibular, seu desempenho está associado principalmente à proteção dentária em relação aos efeitos deletérios do bruxismo. Em resumo, as placas promovem: alteração da oclusão com contatos oclusais bilaterais, alteração da posição condilar para uma posição musculoesquelética mais estável, aumento da dimensão vertical e dos impulsos periféricos ao sistema nervoso central, modificação cognitiva com maior conscientização do paciente em relação ao bruxismo e efeito placebo. Atualmente, elas são confeccionadas pela tecnologia CAD/CAM. Isso significa menos porosidade e mais resistência, o que favorece a longevidade do material, potencializa a precisão na adaptação interna, o torna mais estável e resulta em guias de desoclusão efetivos – desde que sejam montados em articuladores virtuais e tenham registrada a dimensão vertical para a confecção do aparelho intraoral. CASO 1
    Figura1 – Vista intraoral de prótese fixa totalmente cerâmica (infraestrutura em zircônia) sobre implantes na maxila. Prótese total fixa metaloplástica sobre implantes na mandíbula na posição de máxima intercuspidação.

    Figura1 – Vista intraoral de prótese fixa totalmente cerâmica (infraestrutura em zircônia) sobre implantes na maxila. Prótese total fixa metaloplástica sobre implantes na mandíbula na posição de máxima intercuspidação.

    Figuras 2 – Imagens CAD do projeto virtual da placa interoclusal:
    2a placa oclusal

    a) Vista frontal.

     
    2b placa oclusal

    b) Vista lateral direita.

     
    2c placa oclusal

    c) Vista lateral esquerda.

     
    2d placa oclusal

    d) Vista oclusal com os contatos oclusais virtuais.

     
    Figura 3 – Vista intraoral da placa interoclusal CAD/CAM, com contatos bilaterais e simultâneos na posição de fechamento posterior da mandíbula em relação central.

    Figura 3 – Vista intraoral da placa interoclusal CAD/CAM, com contatos bilaterais e simultâneos na posição de fechamento posterior da mandíbula em relação central.

     
    Figura 4 – Vista intraoral da placa interoclusal CAD/CAM, com desoclusão dos dentes posteriores e guia anterior sobre a placa no movimento de protrusão mandibular.

    Figura 4 – Vista intraoral da placa interoclusal CAD/CAM, com desoclusão dos dentes posteriores e guia anterior sobre a placa no movimento de protrusão mandibular.

     
    Figura 5 – Vista intraoral da placa interoclusal CAD/CAM, com desoclusão dos dentes posteriores e guia canino sobre a placa no movimento de lateralidade direita do paciente.

    Figura 5 – Vista intraoral da placa interoclusal CAD/CAM, com desoclusão dos dentes posteriores e guia canino sobre a placa no movimento de lateralidade direita do paciente.

     
    Figura 6 – Vista intraoral da placa interoclusal CAD/CAM, com desoclusão dos dentes posteriores e guia canino sobre a placa no movimento de lateralidade esquerda do paciente.

    Figura 6 – Vista intraoral da placa interoclusal CAD/CAM, com desoclusão dos dentes posteriores e guia canino sobre a placa no movimento de lateralidade esquerda do paciente.

      PERGUNTA: Percebo que preciso ajustar muito as placas oclusais de acrílico para conseguir os contatos oclusais em todos os dentes. Como posso fazer para chegar no mesmo resultado sem tantos ajustes? >> Pergunta enviada por Artur Gasparotto, de Lajeado (RS). Rodrigo Othávio de Assunção e Souza > Os contatos dentários nas placas interoclusais devem ser estáveis e não produzir desvios mandibulares durante o fechamento de boca. No que se refere à superfície oclusal da placa, deve ser plana e lisa (seguindo a curva de oclusão), com contatos bilaterais e simultâneos em dentes posteriores e guias de desoclusão durante o movimento protrusivo. Os caninos inferiores devem contatar uma força uniforme, assim como os incisivos inferiores – porém, com uma relação bem mais suave do que os caninos e, nos movimentos de lateralidade, com desoclusão realizada pelo canino. Os principais cuidados para a confecção das placas são o registro interoclusal e a montagem em articulador sem alteração da dimensão, isso porque consideramos que o eixo de rotação condilar do paciente é diferente do eixo de rotação condilar do articulador. Assim, ocorrem aumentos e diminuições da dimensão vertical de maneiras diferentes entre o articulador e a boca do paciente. CASO 2  
    Figura 1 – Vista inicial em máxima intercuspidação com facetas laminadas cerâmicas nos dentes 15 a 25. Paciente com atividade parafuncional noturna de bruxismo de apertamento dentário.

    Figura 1 – Vista inicial em máxima intercuspidação com facetas laminadas cerâmicas nos dentes 15 a 25. Paciente com atividade parafuncional noturna de bruxismo de apertamento dentário.

     
    Figura 2 – As duas tiras flexíveis (Fleximeter-Strips/Bausch), com espessura total de desoclusão de 3 mm na região anterior, são usadas na orientação da espessura do registro interoclusal para a confecção da placa interoclusal.

    Figura 2 – As duas tiras flexíveis (Fleximeter-Strips/Bausch), com espessura total de desoclusão de 3 mm na região anterior, são usadas na orientação da espessura do registro interoclusal para a confecção da placa interoclusal.

     
    Figura 3 – Registro interoclusal com cera rosa aquecida para orientar a montagem dos modelos de gesso no articulador.

    Figura 3 – Registro interoclusal com cera rosa aquecida para orientar a montagem dos modelos de gesso no articulador.

     
    Figura 4 – Registro em cera para a determinação da espessura para confecção da placa interoclusal.

    Figura 4 – Registro em cera para a determinação da espessura para confecção da placa interoclusal.

     
    Figura 5 – Ajuste da placa interoclusal de acrílico, confeccionada com espessura determinada pelo registro de cera com o auxílio de carbono de espessura fina, de 12 µm (Arti Fol Metallic dupla-face/Bausch).

    Figura 5 – Ajuste da placa interoclusal de acrílico, confeccionada com espessura determinada pelo registro de cera com o auxílio de carbono de espessura fina, de 12 µm (Arti Fol Metallic dupla-face/Bausch).

     
    Figura 6 – Vista oclusal da placa interoclusal com contatos oclusais bilaterais e simultâneos. Note as marcas entre as cúspides vestibulares de dentes posteriores, borda incisal dos dentes inferiores e guias de desoclusão anterior.

    Figura 6 – Vista oclusal da placa interoclusal com contatos oclusais bilaterais e simultâneos. Note as marcas entre as cúspides vestibulares de dentes posteriores, borda incisal dos dentes inferiores e guias de desoclusão anterior.

        RODRIGO OTHÁVIO DE ASSUNÇÃO E SOUZA Mestre e doutor em Prótese Dentária – Unesp, São José dos Campos/SP; Professor adjunto da disciplina de Prótese Dentária – Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).     Fonte VM Comunicação.  

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